quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

LV#2

O ronco mador,
esvanece a magia,
quis dar-te o meu amor,
transformar a minha noite em dia.

Para mim é demasiado tarde,
para ti demasiado cedo.
Mil anos não chegariam,
para me poder explicar,
para me poder curar,
se pudesse dava-te uma escada,
que unisse o meu mundo ao teu,
mas não há nada que nos faça viver,
debaixo do mesmo céu.

Nada pode mudar o destino.
Juntar dois mundos diferentes,
o amor não vai mudar,
o que já foi criado.
A minha vida foi dada ao Diabo.

Eu amo-te para sempre.
Não posso ficar a teu lado,
acabo por morrer mais um bocado.
Não é justo,
não é certo.

Estou do outro lado do mundo,
mas para ti,
aqui tão perto.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

LV#1

Não sei o que é sentir, 
Não gosto de me rir,
Não gosto de conversar,
Não tenho para onde ir,
Nenhum sitio para ficar,
É isso que me torna diferente?,
Não quero ser normal, nem crente, 
Entre pesadelos e escuridão, 
Entrego-me a solidão,
Ela não me cobra nada,
Sou assim gosto de estar perdida, 
E saber que sou incompreendida.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Cantar

Cantando a gente inventa.
Inventa um romance, uma saudade, uma mentira... 
Cantando a gente faz história. 
Foi gritando que eu aprendi a cantar: sem nenhum pudor, sem pecado. 
Canto para espantar os demónios, para juntar os amigos. 
Para sentir o mundo, para seduzir a vida.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Me encontrei

Fiz amor com meu Demónios, 
eu não vou negar.
É que 
meus Anjos,
adúltero,
trocaram-me de uns tempos para cá.
transei a noite toda com o Vazio
sem protecção.
ludibriei a Angústia
chamando-a de "paixão".
puxei o cabelo
e dei tapa
na cara da senhorita Dor.
ela disse que não gosta de carinho, 
depravação
na cama
é sinónimo de amor.
estava metendo com vários (de mim mesmo)
e não notei.
olhei nos olhos dos meus demónios
e me encontrei.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Tem gente

tem gente
que não precisa
da gente
e vive feliz.
tem gente
que é inteiro.
tem gente
vírus,
que não precisa
de hospedeiro.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Encantador

(...)
Chamam-me de antigo ou falam que eu tenho uma alma velha em um corpo jovem.
Talvez seja verdade.
É que eu gosto de Tom Jobim, Ray Charles e Elis Regina.
Leio Lispector e Bukowski.
Escrevo algumas bobagens por aí e tem gente que gosta.
Acabo me afogando no café, e ora ou outra no vinho,
escutando um bom e velho Blues.
Gosto de amar, como ninguém ama. Meu coração é nobre e estou sempre disposto à ajudar.
Sou pensativo e gosto de estar sozinho, como também,
clamo por um afago, um carinho.
Enquanto a sociedade em que vivemos grita por desapego, eu grito por quem fica, mesmo sabendo que no fim, todos vão embora.
Mesmo sabendo que o “ficar” é inquilino que acaba encontrando uma moradia melhor.
Eu sou antigo, mas não estou por fora do que acontece no mundo.
Eu sei muito bem, não sou cego,
infelizmente.
É exatamente por isso, que eu prefiro continuar com minha alma “velha”.
Por enquanto que o mundo vai se modernizando, e se destruindo;
eu vou virando relíquia, rabiscando poesias e
acabando-me no café.